Medicamentos para TDAH: metilfenidato, lisdexanfetamina e não-estimulantes
Como funcionam os principais medicamentos para TDAH em adultos, diferenças entre metilfenidato e lisdexanfetamina, e quando usar não-estimulantes.
Por Dr. Daumiro Tanure
Medicação para TDAH é um dos temas que mais gera dúvida — e mito — entre pacientes adultos. Vale esclarecer de saída: quando bem indicada e bem acompanhada, a medicação para TDAH é altamente eficaz, segura e tem um dos melhores perfis de evidência de toda a psiquiatria (Cortese et al., 2018).
Ao longo dos atendimentos, tenho percebido que a maior barreira para iniciar tratamento não é efeito colateral — é medo. Medo de “criar dependência”, de “virar outra pessoa”, de “estar fugindo do problema”. Parte do meu trabalho na consulta é separar o que é mito do que é dado clínico.
Estimulantes: metilfenidato e lisdexanfetamina
Os estimulantes são a primeira linha no tratamento do TDAH adulto. Agem aumentando a disponibilidade de dopamina e noradrenalina no córtex pré-frontal — regiões ligadas a atenção, planejamento e controle inibitório (Faraone, 2018).
Metilfenidato. Disponível em formulações de liberação imediata (Ritalina), intermediária (Ritalina LA) e prolongada (Concerta). Duração varia de 4 a 12 horas, dependendo da apresentação. Começo geralmente com dose baixa, com titulação semanal ou quinzenal até encontrar a faixa de resposta clínica.
Lisdexanfetamina (Venvanse). Pró-fármaco de anfetamina, ativado apenas no organismo. Uma das grandes vantagens é a duração estável (10–13 horas) com menor pico/vale, o que traduz em menos oscilação de humor e menor potencial de abuso (Adler et al., 2017). É o meu medicamento mais frequentemente prescrito em adultos, especialmente para quem precisa de cobertura por todo o dia de trabalho.
Efeitos colaterais mais comuns
- Redução de apetite (especialmente no almoço)
- Dificuldade para dormir, se a dose for tomada tarde demais
- Boca seca
- Leve aumento de frequência cardíaca e pressão arterial
- Sensação de “estar acelerado” — geralmente indica dose alta demais para o paciente
A maioria desses efeitos é dose-dependente e melhora com ajustes. O acompanhamento próximo nas primeiras semanas é o que faz a diferença entre um paciente que desiste e um paciente que descobre uma nova qualidade de vida.
Não-estimulantes
Nem todo paciente responde bem a estimulantes, e alguns têm contraindicações. Para esses casos, há opções:
Atomoxetina (Strattera). Inibidor seletivo da recaptação de noradrenalina. Não gera dependência, não é medicamento controlado especial. Leva 4 a 8 semanas para atingir efeito pleno. Útil em pacientes com comorbidade ansiosa importante, histórico de uso de substâncias, ou preferência por não usar estimulantes.
Bupropiona. Antidepressivo com perfil dopaminérgico e noradrenérgico. Usada off-label em TDAH, especialmente quando há depressão concomitante.
Clonidina e guanfacina. Agonistas alfa-2 adrenérgicos. Mais usados em crianças, mas com papel em adultos com hiperatividade/impulsividade proeminente ou dificuldade de sono.
Quanto tempo tomar?
Não existe resposta universal. O TDAH é um quadro persistente, e muitos pacientes fazem uso prolongado da medicação. Outros, após alcançar estabilidade na vida (trabalho, família, sono), conseguem reduzir dose ou fazer pausas estratégicas. Cada caso é decidido em conjunto.
Pacientes que chegam ao consultório frequentemente perguntam: “Vou ficar dependente?” A resposta curta é: não, no sentido clínico da palavra. Os estimulantes em doses terapêuticas, tomadas oralmente, têm potencial de abuso muito baixo. Nunca tive um paciente adulto que desenvolvesse dependência pela medicação prescrita e acompanhada.
Para entender o processo diagnóstico antes de pensar em medicação, veja Como é feito o diagnóstico de TDAH em adultos. Para o impacto do TDAH no sono — e como a medicação interage com isso — leia TDAH e sono.
Referências
- Cortese S, et al. Comparative efficacy and tolerability of medications for ADHD. The Lancet Psychiatry, 2018.
- Faraone SV. The pharmacology of amphetamine and methylphenidate. Neuroscience & Biobehavioral Reviews, 2018.
- Adler LA, et al. Long-term safety of lisdexamfetamine dimesylate in adults with ADHD. Journal of Attention Disorders, 2017.
- Kooij JJS, et al. Updated European Consensus Statement on diagnosis and treatment of adult ADHD. European Psychiatry, 2019.
Avaliação clínica em TDAH
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Este artigo tem caráter informativo e educacional. Não substitui consulta médica individualizada.
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